quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A GAIVOTA de Anton Tchékhov

Num casarão no meio do campo, junto a um lago, o jovem Constantino apresenta uma peça interpretada pela sua paixão Nina; os espectadores são a sua mãe (uma actriz famosa) e um grupo de amigos desta, incluindo o seu amante, um famoso escritor de nome Alexandre Trigorin. A peça é, de certa forma, ridicularizada pela sua mãe e Nina apaixona-se pelo escritor. A partir daqui, o drama desenrola-se com paixões, amores não correspondidos, traições e, para animar a festa, tragédia.

Acreditem ou não, toda a minha vida estive convencido que este famosa peça de Anton Tchékhov era um grande dramalhão. Qual a minha surpresa ao descobrir que afinal é uma comédia... amarga e muito dramática, mas uma comédia! 

Nesta nova adaptação mais contemporânea, ganha, nas mãos experientes e talentosas de Diogo Infante, ligeireza, um apurado sentido de humor, nunca perdendo o lado trágico da história. Como é costume nas suas produções, é visualmente forte e elegante, com uma imagem do lago que serve de testemunha de tudo o que se passa. Entre o riso e a tragédia iminente, somos atraídos pelos personagens e pelas consequências das suas acções. Quase todos os personagens têm algo a esconder, com excepção do caseiro e do professor. E existe na realidade uma gaivota...

Apesar de Alexandra Lencastre ser a “cabeça de cartaz” e fazer muito bem da diva teatral cuja vida está prestes a ser abalada, para mim a grande revelação da noite é Rita Rocha Silva como Nina (curiosamente, papel interpretado por Alexandra Lencastre numa produção de 1992). Da adolescente ingénua e apaixonada, à mulher desiludida e perdida, ela é excepcional. Como o interesse amoroso de ambas, Ivo Canelas tem o balanço certo entre arrogância, gozo e egoísmo; sim, não é um personagem simpático, mas é jeitoso. André Leitão é convincente como o pretensioso, artístico e carente filho da actriz e Pedro Laginha é o simpático médico que serve de espectador aos acontecimentos. Margarida Bakker consegue esconder o seu natural glamour como a deprimida e infeliz filha dos caseiros e Guilherme Filipe é divertido como o irmão mais velho da actriz. Em papéis mais secundários, Rita Salema e António Melo dão vida aos seus papéis e, como o professor, Flávio Gil marca presença de forma calma e eficaz.

Recomendo uma visita ao Trindade para ver esta GAIVOTA e apreciarem a excelência do elenco e da produção. Vale muito a pena!

Elenco: Alexandra Lencastre, André Leitão, António Melo, Flávio Gil, Guilherme Filipe, Ivo Canelas, Margarida Bakker, Pedro Laginha, Rita Rocha Silva, Rita Salema 

Equipa Criativa: Versão e Encenação: Diogo Infante • Texto: Anton Tchékhov • Apoio à Dramaturgia: Margarida Tavares • Cenografia: Catarina Amaro • Figurinos: Filipe Faísca • Desenho de Luz: Nuno Meira • Música Original: Artur Guimarães • Sonoplastia: Rui Santos • Assistência de Encenação: Flávio Gil • Direcção de Cena: Raquel Caetano • Técnicos de Palco: Pedro Viegas, Tiago Areia, Tatiana Damaya e Renata Cruz • Operação de Luz: Alexandre Jerónimo Ponto: • Operação de Som: Rui Santos Ponto • Guarda-roupa: Joana Margarida • Fotografia Cartaz e Spot TV: Pedro Macedo – Framed Photos  •  Produção: Teatro da Trindade INATEL

Fotos: Alípio Padilha e Manuel Rodrigues


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