A história de EVITA é conhecida do grande público. Eva é uma jovem de origem humilde, mas cheia de ambição, que vai manipulando os seus homens e assim vai subindo na vida, até ao dia em que conhece Juan Perón. Consegue conquistá-lo e, quando este sobe ao poder, torna-se a Primeira Dama da Argentina. Amada por uns e odiada por outros, conseguiu a fama e a fortuna que ambicionava.
Gostava muito de poder dizer que gostei desta produção, mas a verdade é que não gostei. Achei a encenação de Paulo Sousa Costa mecânica, sem alma, sem coração; a peça pede a paixão e a energia de Evita, mas não a senti, até achei que tinha alguns pontos mortos. O teatro musical não é fácil de encenar e obedece a uma fluidez muito própria que, quando falha, pode tornar o espectáculo arrastado e mesmo maçador. Assim, depois deste EVITA e do anterior GREASE, julgo que vou evitar novos musicais encenados por Paulo Sousa Costa (de quem gostei do trabalho que fez com A RATOEIRA).
Como disse logo no princípio, não faço a mínima ideia de como era a produção original e se é essa que serviu de modelo a Paulo Sousa Costa, mas há sempre lugar para melhorias; o que funcionava em 1978 (ano da estreia de EVITA) pode ser datado nos tempos de hoje.
A razão principal que me levou a ir ver este EVITA foi saber que a personagem ia ser interpretada por Sofia Escobar... não quero ser mau, mas achei a sua voz demasiado operática para o papel e a sua Eva não me conquistou; falta-lhe garra e graciosidade. Para mim, o seu melhor momento é quando, já para o fim, se senta nas escadas e canta com Juan, interpretado por um sólido Diogo Carvalho. Não sabia que Diogo Morgado sabia cantar, mas vai bem e dá-nos um Che gozão e um pouco rufia. Mas de quem eu mais gostei foi de Ricardo Soler como Magaldi, é uma pena que ele não cante mais, e, principalmente, de Rebeca Reinaldo como a amante de Juan Perón. Cabe a ela o momento alto da noite e, a partir daí, só me interroguei porque não era ela a dar vida a Eva Perón. Uma última palavra para a talentosa “ensemble” que enche o palco e que nos tenta animar com a sua energia. Entre estes, destaca-se Diogo Pinto (o Corny Collins de HAIRSPRAY) com o seu sorriso aberto e a alegria com que dança.
Elenco: André Lourenço (Ensemble), Beatriz Lema (Ensemble), Diogo Morgado (Che), Diogo de Carvalho (Péron), Diogo Pinto (Ensemble), Eliseu Ferreira (Ensemble), Inês Martins (Ensemble), João Maria Reis (Ensemble), José Valente (Ensemble), Maria Almeida (Ensemble), Maria Braga (Ensemble), Mariana Marques Guedes (Ensemble), Miguel Barroso (Ensemble), Miguel Sousa (Ensemble), Rebeca Reinaldo (Amante), Ricardo Soler (Magaldi), Sílvia Mirpuri (Ensemble) e Sofia Escobar (Eva Péron)
Equipa Criativa: Música: Andrew Lloyd Webber • Letra: Tim Rice • Encenação: Paulo Sousa Costa • Assistente de Encenação: João Vilas • Direção Musical: Carolina Puntel • Coreografia: Mariana Luís e Pedro Borralho • Assistente coreografia: Kkappa • Direção de Arte e Cenografia: Fred Klaus • Figurinos: Sofia Lima • Assistentes de Figurinos: Afonso Judicibus e Beatriz Ferreira • Perucas: Gena Ramos • Aderecista: Carolina Almeida • Eva Péron interpretada por Sofia Escobar vestida pelo criador Tony Miranda • Cartaz, Criativo e Voz Off: Pedro Matias Maria • Produção: Yellow Star Company
Fotos: Estelle Valente - EGEAC







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