domingo, 29 de março de 2026

IN THE HEIGHTS de Quiara Alegría Hudes e Lin-Manuel Miranda

Na comunidade latina de Washington Heights, Nova Iorque, o jovem Usnavi sonha em voltar para a República Dominicana na companhia da sua “abuela” Claudia, enquanto a jovem Nina regressa ao bairro com uma notícia que não vai agradar aos seus pais. Usnavi tem uma paixão pela sexy Vanessa, que está desejosa de sair daquele bairro, e Nina reencontra Benny, um empregado do seu pai, por quem nutre sentimentos amorosos. Temos ainda Sonny, primo de Usnavi, Daniela e Carla, as donas do salão de cabeleireiro, Pete, o pintor de graffiti, e um vendedor de “piragua”.

O musical IN THE HEIGHTS começou a sua carreira em Waterford Connecticut em 2005 e em 2007 estreou Off-Broadway. Em 2008, a produção foi transferida com sucesso para a Broadway, onde ganhou 4 Tonys (uma espécie de Óscars da Broadway), incluindo Melhor Musical e Melhor Partitura Original. Em 2021 foi adaptado ao cinema por Jon M. Chu (o realizador do WICKED). Vi o filme, mas nunca tive a possibilidade de ver a peça no palco, até agora. A espera valeu bem a pena!

Antes de mais, duas coisas. Primeira, detesto rap; segunda, a música latino-americana não é bem o meu estilo. Independentemente dos meus gostos musicais conservadores, a verdade é que gostei mesmo muito deste IN THE HEIGHTS e deixei-me levar pelos seus ritmos contagiantes. É uma pena não transformarem o teatro num salão de dança no fim do espectáculo.

Sissi Martins, responsável pela encenação de RENT, está de volta na “cadeira de chefe” e, na minha modesta opinião, aqui a sua encenação ainda é mais apurada. Todo o palco vibra com entusiasmo e ritmo, mas também com emoção e amor. A sua direção de actores não podia ser melhor e, por vezes o palco parece ser pequeno para conter tanto talento. A ajudar à festa, a coreografia de Marco Mercier convida à dança e o elenco aceita o convite de alma e coração.

Quanto ao elenco, são todos excelentes em todos os niveis e, por razões de importância dos seus papéis, uns acabam sempre por se destacar. Luísa Cruz conquista-nos facilmente com a sua “abuela” e Gonçalo Rosales convence como o tímido, sonhador e simpático Usnavi. No papel da sexy Vanessa, Margarida Martins (A PEQUENA LOJA DOS HORRORES, COMPANY) surpreendeu-me pela positiva e Marta Mota (RENT) é uma fonte de boas energias como Daniela. Kiko Monteiro é engraçado como Sonny e gostei de reencontrar Pessoa Junior (um dos RAPAZES NÚS A CANTAR que eu vi), aqui como o pai de Nina. Ludmilla Guimarães e Pedro Nuno vão muito bem como Nina e Benny, fazendo-nos acreditar no seu amor. Como Pete (o do grafiiti), Renato Nobre demonstra ser um excelente bailarino, Tiago Retrê diverte-se como o vendedor de piragua e Sara Claro (A PEQUENA LOJA DOS HORRORES, RENT) tem uma presença forte como a mãe de Nina. Os actores cujo nomes não mencionei, ajudam a encher o palco com energia e vida.

Recomendo uma visita e este bairro e desafio-vos a não se deixarem contagiar pela música, mas sei que não vão resistir! Graças à MTL e outros, o Teatro Musical está bem vivo em Portugal e isso faz-me muito feliz.

Elenco: Carolina Amarais, Catarina Clau (Carla), Gonçalo Rosales (Usnavi), Gustavo Ramos, Kiko Monteiro (Sonny), Luísa Cruz (Abuela Claudia), Ludmilla Guimarães (Nina), Margarida Silva (Vanessa), Marta Mota (Daniela), Mimi Mourato, Pedro Nuno (Benny), Pedro Razori, Pessoa Júnior (Kevin, pai de Nina), Renato Nobre (Pete), Sara Claro (Camila, mãe de Nina), Tiago Retrê (vendedor de piragua)

Músicos: Artur Mendes – Saxofone; Jackson Azarias – Baixo; João Gomes – Trombone; João Ventura – Bateria; Kent Queener – Piano; Micael Pereira - Trompete

Equipa Criativa: Texto Original: Quiara Alegría Hudes • Música e Letra: Lin-Manuel Miranda  • Encenação: Sissi Martins • Direção Artística: Martim Galamba, Rúben Madureira, Sissi Martins • Produção Executiva:  Martim Galamba • Direção Musical: Tom Neiva • Coreografia: Marco Mercier • Adaptação Portuguesa:  João Sá Coelho • Direção Vocal: Carlos Meireles • Cenografia e Figurinos: Pedro Morim • Desenho Som: Daniel Fernandes • Desenho Luz: Francisco Alves • Direção de Cena:  Sílvia Moura • Assistência de Produção: Bruno Águas • Consultoria Quiara: Alegría Hudes e Philip Himberg • Assistência Figurinos: Romana Mussagy • Pintura Mural: Magda Casqueiro • Produção: MTL - Music Theater Lisbon

Fotos: Estelle Valente - EGEAC 




terça-feira, 24 de março de 2026

T2 EM BENFICA POR 600 EUROS de Vicente Alves do Ó

Um T2 em Benfica por 600 euros? Uma verdadeira pechincha! E, assim sendo, cinco desconhecidos celebram individualmente um contrato de arrendamento do apartamento, para depois descobrirem que afinal não são o único arrendatário. Sentindo-se enganados, têm de arranjar uma solução entre todos.

Há um ditado que diz “a brincar a brincar foi o macaco ao cú à mãe”. Pois nesta peça, a brincar a brincar, falam-se de coisas muito sérias. A crise de habitação em Portugal, neste caso em Lisboa, e o desespero dos cidadãos para conseguirem encontrar um apartamento que possam pagar, é o tema desta comédia da autoria de Vicente Alves do Ó. O resultado é divertido, mas algumas gargalhadas são amargas. A história de cada um dos personagens não é feliz, cada um com os seus problemas e as suas razões para quererem o apartamento. Temos um sem abrigo, uma esposa em processo de separação, um “quarentinha” que nunca teve um apartamento só seu, uma “maluca” dos gatos com uma filha que não quer saber dela e um jovem propenso a desmaios espontâneos. Curiosamente, só um deles está disposto a desistir do apartamento a favor dos outros.

O cenário é “assombrado” por um berrante papel de parede anos 70, que me fez lembrar vulvas (mas tenho uma mente porca, não liguem) e que divide a opinião dos seus futuros arrendatários. Neste cenário único, os personagens dão-se a conhecer e cada um dá o seu toque pessoal ao apartamento. Não há falta de ritmo em palco, sempre com algo a acontecer e a despertar a nossa atenção. O desespero dos personagens é igual ao de tantos portugueses que, quando lhes aparece uma oportunidade única, não pensam duas vezes e caem no “conto do vigário”. Mas atenção, os vigaristas andam aí em busca de alvos fáceis. 

O elenco é irrepreensível! Todos vivem os seus personagens com humor, garra e o dramatismo necessário. Por vezes comoventes, outras vezes loucos, são um quinteto que merece o nosso aplauso. Por eles e pela actualidade do assunto, aconselho que façam uma visita a este T2 em Benfica. E sim, rir é sempre o melhor remédio!

Elenco: António Camelier, Margarida Antunes, Margarida Moreira, Francisco Beatriz e Ricardo Barbosa 

Equipa Criativa: Encenação: Vicente Alves do Ó • Texto: Vicente Alves do Ó • Operador de Som: Rúben Brandão • Guarda-Roupa: Ukbar Filmes • Produção: Meia Palavra Basta – Associação Cultural • Apoio à Produção: Junta de Freguesia de Benfica, Ukbar Filmes, HIT Management, Oficina de Museus, Auditório Carlos Paredes, Cine-Teatro Turim • Imagem Cartaz: Mariana Lokelani • Designer Gráfico: Joana Franco

Fotos: Ana Lopes Gomes



domingo, 22 de março de 2026

TODOS PÁSSAROS de Wajdi Mouawad

Eitan, um judeu-alemão, e Wahida, uma árabe-americana, apaixonam-se, provocando uma crise com a família de Eitan, que se recusa a aceitar esta relação. A fim de saber mais sobre a sua família, o jovem casal vai até Jerusalém, onde são apanhados num ataque terrorista. Com Eitan no hospital, a família reúne-se e um segredo antigo vem assombrar o presente.

Apesar de ter sido escrita em 2017, esta peça não podia ser mais actual. O que começa como uma simples história de amor, depressa se revela um drama sobre intolerância e o peso da memória do Holocausto, bem como sobre a identidade de cada um de nós. O conflito judeu-árabe ganha uma dimensão pessoal/familiar, mas não menos violenta. Acho que nunca vamos perceber o porquê de tanto ódio entre estes dois povos.

Achei o palco do Teatro São Luís demasiado grande para uma peça que, na minha opinião, devia ser mais intimista. Mas o encenador Álvaro Correia consegue ultrapassar isso, aproveitando o espaço com simplicidade. O assunto pesado é tratado com respeito, com um ou outro apreciado apontamento de humor, num crescendo de emoções que nos levam à revelação de um segredo que vai mudar tudo. E não, o importante não é o romance entre os dois jovens, mas sim as consequências deste. No entanto, confesso que achei a peça demasiado longa (duas horas e meia é muito tempo) e após a revelação perdi um pouco o interesse. Achei um pouco pedagógica toda a sequência de transformação de Wahida, apesar de perceber a necessidade de o ser. Mas creio que o facto de a peça ser longa, não é culpa do encenador nem do excelente elenco, mas sim do seu autor.

No elenco, destacaram-se, para mim, Manuela Couto como a mãe de Eitan e Cucha Carvalheiro como a avó; a primeira como uma mulher que tenta desesperadamente manter a sua família, a segunda como uma mulher supostamente fria que deseja abrir o seu coração; ambas têm receio do futuro. Como o casal romântico, David Esteves e Madalena Almeida vão bem individualmente, mas não senti paixão entre eles. Fernando Luís e Virgílio Castelo vão muito bem, o primeiro como o execrável pai de Eitan e o segundo como o quase patético avô. Por fim, uma última palavra para Duarte Romão e Laura Garnel, que marcam uma presença forte em papéis secundários.

Um tema actual visto de uma forma mais pessoal e que nos faz pensar nas razões de mais uma guerra estúpida, onde todos perdem. No fim, fiquei a saber que existem pássaros anfíbios. 

Elenco: Cucha Carvalheiro, David Esteves, Fernando Luís, Madalena Almeida, Manuela Couto, Virgílio Castelo e Duarte Romão e Laura Garnel (alunos finalistas da ESTC) 

Equipa Criativa: Encenação: Álvaro Correia • Texto: Wajdi Mouawad • Tradução: João Paulo Esteves da Silva • Espaço Cénico: André Guedes • Música e Espaço Sonoro: Vitória • Figurinos: Neusa Trovoada • Desenho de Luz: Manuel Abrantes • Apoio ao Espaço Cénico: Carlos Bártolo • Pintura e Caracterização Mural: Rita Rosa Pico e Tomás Richter • Assistente de Encenação: Bruno Soares Nogueira • Produção Executiva: Nuno Pratas • Coprodução: Culturproject, São Luiz Teatro Municipal e Teatro Municipal Joaquim Benite 

Fotos: Leonardo Negrão




quarta-feira, 18 de março de 2026

HAIRSPRAY de Mark O’Donnell e Thomas Meehan

Em 2003, numa visita a Nova Iorque, vi a produção original deste musical na Broadway e não fiquei convencido. Em 2007 estreou a adaptação cinematográfica, que vi e gostei. Agora foi a vez de o ver de novo no palco, nesta produção portuguesa e... sabem uma coisa? Adorei!

Tracy é uma teenager cujo maior sonho é dançar no show televisivo do Corny Collins. Quando abrem audições para o mesmo, ela concorre, mas como não obedece ao padrão físico da “cabra” Velma Von Tussel e sua insuportável filha, não é aceite. Com a ajuda de Seaweed, um jovem negro, consegue chamar a atenção do Corny Collins e entra no show. Mas Tracy quer ir mais longe e acha que é altura de brancos e negros dançarem em conjunto na televisão, ao mesmo tempo que se apaixona por Link Larkin, o ídolo de todas as adolescentes e namorado de Amber Von Tussle.

Confesso a minha ignorância, nunca tinha ouvido falado do Teatro ÀPriori, mas a partir de agora vou estar muito atento às suas produções que, se tiverem a qualidade deste HAIRSPRAY, espero venham a ser muitas.

Pois é, como já disse, adorei esta produção cheia de energia, cor, música e alegria de viver. É verdade, fui vê-la com alguma desconfiança. Com excepção de dois dos actores, os nomes da equipa não me diziam nada. Mas não havia razões para ter medo. João Prior encena com o coração no sítio certo e faz correr a produção de forma inspirada, bem oleada, com sentido de humor e uma boa direcção de actores. A coreografia de Leonardo Viana é simples, agradável à vista e verdadeiramente contagiante; uma pena não nos podermos juntar ao elenco no palco para dançar com eles.

Quanto ao elenco, temos uma companhia de gente talentosa, capaz de interpretar, cantar e dançar. Como já mencionei, apenas conhecia dois dos actores: Dennis Correia (o fabuloso Angel de RENT) que nos dá um Seaweed cheio de ritmo e graça e Maria Prata (que fazia parte do trio feminino da PEQUENA LOJA DOS HORRORES) que dá convincentemente vida à terrível Amber. No papel de Tracy, Emília Guimarães revela uma energia inesgotável e cria facilmente empatia connosco; como a sua mãe, Diogo Almeida é deliciosamente divertido, com um brilho atrevido no olhar. Inês Lima é muito cómica como a desajeitada Penny e Sofia de Castro vai muito bem como a manipuladora Velma. Como Link, Rui Serrinha é um perfeito ídolo das matinés e, como Corny, Diogo Pinto irradia charme. Amália Santana é uma maternal Motormouth, Rafael Pina o apaixonado e bem-disposto Wilbur, Naymara Cruz mexe-se bem como a Pequena Inês e Raquel Carvalho é divertida como a tresloucada Prudy, a mãe de Penny. Uma última palavra para Inês Maia, Soraia Morais e Ailèma Monteiro que são um verdadeiro “dinamite” como as Dynamites.

Infelizmente, por razões que desconheço, só conseguiram sala para quatro sessões esgotadas, pelo que espero que alguém ceda um lugar a esta fabulosa companhia e que HAIRPSRAY volte rapidamente aos nossos palcos. Esta explosão de cor e alegria é um verdadeiro antidoto para os tempos negros que se se vivem e uma muito desejada lufada de ar fresco. Vamos criar uma petição para que volte aos nossos palcos?

Elenco: Ailèma Monteiro, Alexandra Galhordas, Amália Santana, Beatriz Alves, Dennis Correia, Diogo Almeida, Diogo Pinto, Emília Guimarães, Fábio Teixeira, Guilherme Coutinho, Haba Barbosa, Inês Azevedo, Inês Lima, Inês Maia, Inês Nunes, Inês Reais, Inês Rocha, João Monteiro, Kelly Oliveira, Leonardo Viana, Margarida Esteves, Maria Prata, Matilde Lima, Naymara Cruz, Rafael Pina, Raquel Carvalho, Renata Arenga, Rui Serrinha, Simão Sousa, Sofia de Castro, Soraia Morais, Zé Francisco.

Equipa Criativa: Texto Original: Mark O’Donnell & Thomas Meehan  • Música:  Marc Shaiman • Letras: Scott Wittman & Marc Shaiman • Encenação e Produção Executiva: João Prior • Tradução: Inês Lima, João Prior e Marta Martins • Coreografia: Leonardo Viana • Direção Musical: Mari Ribeiro • Direção de Actores: Marta Martins • Consultoria: Marco Mendonça • Assistência Coreográfica: Inês Azevedo • Produção: Inês Lima, Inês Azevedo, João Monteiro, Marta Martins, Patrícia Rodrigues, Margarida Esteves • Fotografia e Design do Cartaz: Renato Arroyo • Social Media: Patrícia Rodrigues • Marketing: João Monteiro • Figurinos: Alexandra Galhordas, João Prior • Mestre de Costura: Preciosa Verdilheiro • Cabelos: Pedro Ribeiro • Desenho de Luz: Tiago Santos • Desenho de Som: Margarida Pinto • Design 3D: Pedro Felizardo • Fotografias e Vídeo: António Esteves • Produção: Teatro ÀPriori


terça-feira, 17 de março de 2026

SPELLING BEE – O CONCURSO DE SOLETRAR de Rachel Sheinkin

Este musical começou a sua carreira de sucesso Off-Broadway em 2005 e, nesse mesmo ano, foi transferido para a Broadway, onde esteve em exibição cerca de três anos.

Seis pré-adolescentes, vindos de várias “terrinhas” dos EUA, concorrem entre si no concurso de soletração Spelling Bee. Cada um traz consigo as suas histórias, as suas razões para concorrerem e o motivo por que é importante ganharem.

O ano passado tive o prazer de assistir ao delicioso musical THE DROWSY CHAPERONE, um projecto conjunto da Callback Produções e da EDSAE (Companhia de Teatro Musical). Este ano, o espectáculo escolhido é este SPELLING BEE. Ao contrário do DROWSY CHAPERONE, nunca tinha visto este musical, por isso não há comparações para fazer.

Como em “equipa vencedora não se mexe”, a dupla JP Costa & Sara Teixeira está de volta e o resultado são cerca de duas horas de ritmo, gargalhada, sem pontos mortos e com coreografia a condizer. O jovem elenco agarra os seus personagens com energia e boa disposição, mas tenho de destacar os dois que me conquistaram, talvez por serem também os personagens mais engraçados: Salvador Morgado (que já era brilhante no DROWSY CHAPERONE) como William Barfee, o rapaz do pé mágico, e Rafael Mateus como Leaf Coneybear, o tótó com rasgos de génio. Para mim, o melhor momento musical pertence a Morgado com a sua canção “Pé Mágico”.

Algures entre um espectáculo de fim de curso de uma escola e a Broadway, este musical não pretende ser mais do que um simples entretenimento e é isso mesmo que é. Gostei Venham mais!

Elenco: António Freitas, Carolina Durán, Inês Ribeiro, Joana Von Amann, Jorge Honda, Leonor Alves, Mafalda Gonçalves, Rafael Mateus, Raquel dos Santos, Rodrigo Balseiro, Salvador Morgado, Vasco Ribeiro

Equipa Criativa: Encenação e Direção Artística: JP Costa & Sara Teixeira • Texto Original: Rachel Sheinkin • Música e Letras: William Finn • Coreografia e Movimento: JP Costa • Direcção Vocal: Sara Teixeira • Design Gráfico e Imagem: Ana Filipa Leite • Direcção Técnica: João LaCueva • Som: Alexandre Furtado & Sara Teixeira •  Luz: Nuno Pereira & JP Costa • Fotografia do Elenco: Gonçalo Lima • Fotografia de Palco: Pedro Antas Ferreira • Redes Sociais: Iara Pedro & Salvador Morgado • Parcerias: EDSAE & Auditório do Liceu Camões • Apoio à Produção: Beatriz Monteiro, Família Ferreira e Família Teixeira • Produção: Callback Produções

Fotografias: Pedro Antas Ferreira






sexta-feira, 13 de março de 2026

DONA MARGARIDA de Roberto Athayde


A Dona Margarida uma professora de biologia, autoritária, agressiva, com uma linguagem corporal muito sexual e um discurso ofensivo. Dos seus alunos exige total obediência e que aprendam as suas lições sem questionarem nada.

Tive o prazer de ver a grande Sandra José há 12 anos, quando esta peça do brasileiro Roberto Athayde estreou em Lisboa, e aqui está ela de volta. Melhor que nunca, completamente maluca e com uma energia de fazer inveja. Como os seus alunos da primária, nós os espectadores tememos que ela nos chame ao quadro e o que nos poderá fazer com a sua grande régua. Confesso que gostei mais desta produção do que da original, a encenação é mais eficaz e mais divertida.

São cerca de 60 minutos de risos, onde se dizem muitas verdades, se fala da importância do ensino e onde somos positivamente subjugados pela força e talento de Sandra José... e não esquecer, devemos-lhe obediência cega!!! Não percam esta aula!

Elenco: Sandra José 

Equipa Criativa: Encenação: Rafael Medrado • Texto: Roberto Athayde • Assistente de Encenação: Mafalda Rodrigues • Desenho de Luz e Operação Técnica: Enzo Ballaré • Fotografia: Patrícia Blázquez • Comunicação e Imagem: Ana Veiga • Produção: Boutique da Cultur





sábado, 28 de fevereiro de 2026

BROKEBACK MOUNTAIN de Ashley Robinson

No dia 09.02.2006 estreou nos nossos cinemas O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN. Com uma série de nomeações para os Oscars e um elenco de estrelas, causou furor com a sua história de amor homossexual e até o público heterossexual fez questão de o ir ver. Para ser honesto, quando o vi não me conquistou; achei-o um pouco aborrecido e muito soft; com o passar do tempo melhorou um pouco na minha memória, mas não muito. 

Agora, 20 anos depois, chega aos nossos palcos uma versão teatral a partir do conto de Annie Proulx, o que quer dizer que não é propriamente uma adaptação do filme. O resultado? Uma agradável surpresa!

Ennis (Duarte Melo) e Jack (Rui Pedro Silva) são dois jovens cowboys que se conhecem num Verão em que ambos vão tomar conta de ovelhas em Brokeback Mountain. Sozinhos na montanha, acabam por se apaixonar, mas sabem que o seu amor não pode ser visto pelos outros e ambos acabam por casar com mulheres. Mas a sua paixão, contra tudo e contra todos, continua.

Nas mãos de Daniel Gorjão, esta história de um amor proibido é encenada de forma muito simples e (será que posso dizer isto?) plasticamente fotográfica. A ver se me faço entender. Durante toda a peça, há momentos em que tudo fica estático, como se tratasse de uma fotografia. Esses momentos ajudam a criar dramatismo, movem a acção e parece que fecham os protagonistas sobre si próprios. É como se a sua paixão tivesse de ser contida. Visualmente, é tudo muito cuidado, o nudismo não é gratuito e as cenas de amor são emotivas. A introdução de canções que vão pontuando a história, parece um pouco estranho ao início, mas depois faz todo o sentido.

Carla Galvão empresta a sua bonita voz às canções e marca presença em palco. Joana Ribeiro e João Candeias, que se desdobram em vários papéis, são quase meros figurantes, ofuscados pela paixão de que, juntamente com Galvão, são testemunhas silenciosas. E depois temos Duarte Melo e Rui Pedro Silva que se entregam aos seus personagens com naturalidade, química natural e sem vergonha. A sua paixão é intensa, é verdadeira e os seus medos também o são.

Uma bonita história de amor assombrada pelo medo e que termina em tragédia. Faz-nos pensar porque é que, ainda hoje, o amor entre duas pessoas do mesmo sexo é condenado por tanta gente. Se conseguirem bilhetes não percam!

Elenco: Carla Galvão, Duarte Melo, Joana Ribeiro, João Candeias, Rui Pedro Silva

Equipa Criativa: Encenação e Direcção Plástica: Daniel Gorjão • Texto: Ashley Robinson, a partir do conto de Annie Proulx • Tradução: Ana Sampaio • Música: Dan Gillespie Sells • Assistente de Encenação: Maria Jorge • Desenho de Luz e Direção Técnica: Sara Garrinhas • Direção Musical: Miguel Lucas Mendes • Vídeo de Cena:  Rafael Bernal • Execução de Cenografia: FPSolutions • Fotografia de Cartaz: Pedro Macedo – Framed Photos • Produção Executiva: Teatro do Vão 

Fotos: Alípio Padilha / Vasco Coelho