terça-feira, 14 de abril de 2026

“SR. ENGENHEIRO” – ALEGADAMENTE UM MUSICAL de Henrique Dias

Alegadamente inspirado em facto verídicos, este musical conta-nos a história da ascensão e queda de um político português que veio das beiras e conseguiu chegar a Primeiro-Ministro.

A provar que o teatro musical está de boa saúde e a crescer em Portugal, temos aqui algo novo. Um musical original da autoria de Henrique Dias e Artur Guimarães (responsável também pela versão musical portuguesa da ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS), que, com graça, ritmo e melodia, nos conta uma história conhecida de todos nós. Sente-se no ar a cumplicidade entre os factos contados no palco e o público, resultando num ambiente muito divertido onde, sem ofensa, nos rimos de tristes (alegadamente) verdades. 

A encenação de Rui Melo (AVENIDA Q, QUERIDO EVAN HANSEN) inspira-se na tradição do music-hall clássico, mas com um toque de modernidade que lhe assenta muito bem. Os números musicais sucedem-se com sucesso, a história desenrola-se sem pontos mortos, as gargalhadas não são forçadas e é uma pena que tudo isto dure menos de 90 minutos. A coreografia de Joana Duran ajuda à festa com simplicidade e graça.

Fiquei com a sensação de que o elenco se diverte tanto quanto nós e o seu entusiasmo pelo material é palpável. No papel do tal político, Manuel Marques é hilariante e tem aqui um papel à sua altura. Destaque também para Sílvia Filipe (ESTAR EM CASA), excelente como a apaixonada secretária a precisar de uma berlaitada, Alexandre Carvalho (A FAMÍLIA ADDAMS) como o pobre “entregador” de pizzas, Miguel Raposo como o advogado que percebe de prescrições jurídicas e Sissi Martins como a ministra à beira de um ataque de nervos. Mas todos eles estão muito bem e formam um grupo intocável que merece o nosso aplauso final de pé.

Se gostam de musicais, comédias e procuram algo de original, recomendo uma visita a este Sr. Engenheiro!

Elenco: Alexandre Carvalho, Brienne Keller, Jorge Mourato, Manuel Marques, Marta Andrino, Miguel Raposo, Samuel Alves, Sílvia Filipe, Sissi Martins e Rita Cruz

Músicos: Artur Guimarães, Tom Neiva, André Galvão, João Valpaços, Marcelo Cantarinhas, inês Nunes ou Carlos Domingues

Equipa Criativa: Encenação: Rui Melo • Texto: Henrique Dias • Assistência de Encenação: Madalena Almeida • Assistência de Encenação: Madalena Almeida • Música Original e Direcção Musical: Artur Guimarães • Direcção Vocal / Assistência Direcção Musical: Carlos Meireles • Cenografia e Figurinos: Marta Carreiras  • Confeção de Adereços e Assistência de Cenografia: Ana Sofia Gonçalves  • Confeção de Figurinos: Aldina Semedo  •  Coreografia: Joana Quelhas • Assistência de Coreografia: Joana Duran • Desenho de Luz: Paulo Sabino • Desenho de Som: Sérgio Milhano • Produção: UAU

Fotos: Pedro Sadio, Reinaldo Rodrigues, Daniel Rocha



UMA IDEIA GENIAL de Sébastien Castro

Um homem desconfia que a sua mulher se apaixonou por um agente imobiliário que conheceram há dias. Por estranha coincidência, cruza-se com um suposto actor que é um sósia perfeito do agente imobiliário e contrata-o para ele se fazer passar por este. A sua ideia é simples: o actor comporta-se de forma desagradável, de modo que a esposa perca o interesse por ele. Mas claro que não conta com alguns imprevistos, como por exemplo a metediça vizinha do lado e o irmão gémeo do actor.

Se, como eu, gostam de peças onde reina a confusão, esta comédia de origem francesa é um excelente exemplo. O encenador Ricardo Neves-Neves (ESTAR EM CASA, A FAMÍLIA ADDAMS, MÃES, NOITE DE REIS) está no seu melhor, dando-nos uma divertida sucessão de gargalhadas, cenas hilariantes e, por vezes, algumas ideias geniais (se faziam ou não parte do original, não sei). Neves-Neves é muito bom com comédia física (“slapstick” em inglês) e aqui tem um dia em cheio; quase tememos pela saúde dos actores. Não quero revelar nada, mas os práticos “efeitos especiais” são muito bons e um deles (tem a ver com a personagem da vizinha) vai ficar para sempre na minha memória.

O talentoso quarteto de actores está em perfeita sintonia com o espírito da peça. Como a esposa, Ana Guiomar tem a personagem mais calma e acreditamos que ela não percebe nada do que se passa; como o esposo, não sei como é que Cristóvão Campos (ARTE) não se engana com a confusão de nomes e personagens. A Ruben Madureira (A FAMÍLIA ADDAMScabe a tarefa mais difícil, dar vida a três sósias que nada têm a ver uns com os outros, mas fá-lo com mestria e muita graça. Por fim, temos a grande Sandra Faleiro (que já este ano tinha adorado em O FANTASMA DOS CANTERVILLE) que, como a vizinha, é absolutamente louca e inesquecível. 

Adoro comédias cuja única pretensão é fazerem-me rir e não pensar na vida, e esta fá-lo de forma brilhante. A não perder! 

Elenco: Ana Guiomar, Cristóvão Campos, Ruben Madureira e Sandra Faleiro

Equipa Criativa: Encenação: Ricardo Neves-Neves • Texto: Sébastien Castro • Tradução: Ana Sampaio • Cenário: Catarina Amaro • Figurinos: Rafaela Mapril • Desenho de Luz: Rui Seabre • Ass. Encenação: João Guimarães • Produção: Força de Produção

Fotos: Filipe Ferreira




terça-feira, 7 de abril de 2026

SWEENEY TODD – O CRUEL BARBEIRO DA RUA FLEET de Hugh Wheeler & Stephen Sondheim

Em 1997, pela mão de João Lourenço, estreou no Teatro D. Maria uma versão portuguesa deste musical, considerado por muitos como a obra-prima de Stephen Sondheim, que tive o prazer de ver e que era muito boa. Em 2007, João Lourenço volta a esse musical com uma nova produção, mas achei esta inferior à de 1997. Agora, 29 anos depois, este musical regressa aos nossos palcos numa produção da Lisbon Film Orchestra e é sempre um enorme prazer ouvir esta partitura ao vivo.

Em passos largos, é a história de um barbeiro (Sweeney) que é condenado por um crime que não cometeu, para que dessa forma um Juiz impiedoso possa ficar com a sua esposa, que enlouquece ao ser violada por este. De regresso a Londres, Sweeney procura vingança e encontra Mrs. Lovett, uma cozinheira de empadas que sempre teve um fraquinho por ele. Decidido a matar o Juiz, Sweeney decide ir assassinando outros homens até ter o Juiz nas suas mãos; sendo uma mulher prática, Mrs. Lovett sugere que usem a carne dos corpos para as suas empadas.

Ao contrário da produção de João Lourenço, o encenador Pedro Pernas (que dá, e muito bem, vida ao odioso e nojento Juiz) optou por tornar a coisa mais leve e jovem, puxando pelo lado cómico do musical e o resultado é, no meu ver, muito divertido. A meio caminho entre uma versão de concerto e uma versão teatral, Pernas aproveita bem o espaço do palco e o cenário é simples e funcional. No dia em que vi, houve umas ligeiras falhas de som e de iluminação, mas que em nada prejudicaram o gozo que me deu assistir a este musical deliciosamente negro. Também gostei da coreografia desconjuntada de Laura Póvoa, com movimentos que por vezes me faziam lembrar zombies, e que ajuda a criar o ambiente de loucura que envolve os personagens.

Num papel duplo, Ana Marta Kaufman diverte-se como Pirelli e é uma presença constante e incomodativa como a mendiga. Como o braço direito do Juíz, João Guimarães tem um olhar de sacanice que assenta que nem uma luva ao personagem. Pedro Tobias facilmente conquista a nossa simpatia como Tobias e canta com emoção a mais bonita balada do musical, “Not While I’m Around”. João Marques (o terrível SCROOOGE)  e Beatriz Cadete são o inocente, ingénuo, apaixonado e meio tonto casal romântico e estão muito bem. Vi recentemente Bryan Carvalho como o apaixonado e maniento Danny em GREASE e nunca pensei que ele tivesse o perfil necessário para fazer de Sweeney, pelo que foi uma verdadeira surpresa. Ameaçador, louco e com um vozeirão, não duvidamos das suas intenções e o seu “Epiphany” manda a “casa abaixo”. Por fim temos a inesquecível Mrs. Lovett, à qual Vânia Blubird (a hilariante hospedeira do recente COMPANY) se entrega de alma, coração e corpo, sendo impossível desviar o olhar dela sempre que está em palco. Completamente maluca, cabe a ela os momentos mais altos da noite, seja com o gostoso “The Worst Pies in London” ou com o atrevido “By the Sea”. Claro que, na companhia de Carvalho, nos dá o inesquecível “A Little Priest”, uma canção capaz de abrir o apetite a qualquer um de nós. Por fim, uma palavra para a excelente “ensemble”, por vezes fantasmagórica, outras vezes muito presente.

Caso ainda não tenham percebido, gostei mesmo muito deste SWEENEY TODD. Claro que sou suspeito, pois Sondheim é um dos meus compositores preferidos, mas recomendo uma visita a Fleet Street. E aproveitem para fazer a barba... ou talvez não. Imperdível!

PS: Lamento, mas não sei o título das canções em português.

Elenco: Bryan Carvalho, Vânia Blubird, João Marques, Beatriz Cadete, Pedro Alma, Pedro Pernas, Joâo Guimarães, Ana Marta Kaufmann, Andreia Soares, Carolina Ribeiro, Henrique Barata, Inês de Castro, Ivo Cota, José Sande, Maria Inês Cabral, Matheus Oliveira, Miguel Pina, Raquel Carvalho, Ricardo Mota, Sara Ângelo

Equipa Criativa: Texto Original: Hugh Wheeler • Música e Letras: Stephen Sondheim • Encenação: Pedro Pernas • Revisão do Guião: Teresa Mendes, Pedro Bello, Vânia Blubird • Direcção Musical: Nuno Sá • Coreografia: Laura Póvoa • Cenografia / Técnico de Palco: Kim Cachopo • Construção Cenário: Kim Cachopo e Trás Eventos • Apoio à Cenografia: Beatriz Greco • Guarda-Roupa / Figurinos: Ana Paula Rocha • Assist. Guarda-Roupa / Figurinos: Madalena Cáceres • Caracterização / Cabelos: Danila Hatzakis • Desenho de Luz: Laura Póvoa e Tiago Santos • Operação de Luz: Laura Póvoa • Técnico de Som: Quim Tó • Produção Executiva: Francisco Santiago e Pedro Bello • Assist. de Produção: David Garcez • Assist. de Encenação / Direcção de Cena:  Mari Ribeiro • Produção: Lisbon Film Orchestra

Fotos: Ben do Rosário, Paulo Miranda, Reinaldo Rodrigues




domingo, 5 de abril de 2026

EVITA de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber

Antes de começar, duas coisas. Primeira: até agora, nunca tinha visto este famoso musical em palco, tendo visto a adaptação cinematográfica de 1996 com Madonna e até que gostei. Segunda: confesso que, com excepção do SUNSET BOULEVARD, não sou, nem nunca fui, grande fã do Andrew Lloyd Webber. Na verdade, são três coisas, a terceira é que acho que a sala do Capitólio não tem condições para este tipo de espectáculos. Lisboa está a precisar de uma nova sala de teatro preparada para musicais.

A história de EVITA é conhecida do grande público. Eva é uma jovem de origem humilde, mas cheia de ambição, que vai manipulando os seus homens e assim vai subindo na vida,  até ao dia em que conhece Juan Perón. Consegue conquistá-lo e, quando este sobe ao poder, torna-se a Primeira Dama da Argentina. Amada por uns e odiada por outros, conseguiu a fama e a fortuna que ambicionava.

Gostava muito de poder dizer que gostei desta produção, mas a verdade é que não gostei. Achei a encenação de Paulo Sousa Costa mecânica, sem alma, sem coração; a peça pede a paixão e a energia de Evita, mas não a senti, até achei que tinha alguns pontos mortos. O teatro musical não é fácil de encenar e obedece a uma fluidez muito própria que, quando falha, pode tornar o espectáculo arrastado e mesmo maçador. Assim, depois deste EVITA e do anterior GREASE, julgo que vou evitar novos musicais encenados por Paulo Sousa Costa (de quem gostei do trabalho que fez com A RATOEIRA). 

Também em termos de coreografia, da autoria de Mariana Luís e Pedro Borralho (os mesmos de GREASE), o resultado é fraco. Os membros do “ensemble” fazem o melhor que podem com a desinteressante coreografia e é uma pena que a energia “caliente” de, por exemplo, o tango, não esteja presente em palco. 

Como disse logo no princípio, não faço a mínima ideia de como era a produção original e se é essa que serviu de modelo a Paulo Sousa Costa, mas há sempre lugar para melhorias; o que funcionava em 1978 (ano da estreia de EVITA) pode ser datado nos tempos de hoje.

A razão principal que me levou a ir ver este EVITA foi saber que a personagem ia ser interpretada por Sofia Escobar... não quero ser mau, mas achei a sua voz demasiado operática para o papel e a sua Eva não me conquistou; falta-lhe garra e graciosidade. Para mim, o seu melhor momento é quando, já para o fim, se senta nas escadas e canta com Juan, interpretado por um sólido Diogo Carvalho. Não sabia que Diogo Morgado sabia cantar, mas vai bem e dá-nos um Che gozão e um pouco rufia. Mas de quem eu mais gostei foi de Ricardo Soler como Magaldi, é uma pena que ele não cante mais, e, principalmente, de Rebeca Reinaldo como a amante de Juan Perón. Cabe a ela o momento alto da noite e, a partir daí, só me interroguei porque não era ela a dar vida a Eva Perón. Uma última palavra para a talentosa “ensemble” que enche o palco e que nos tenta animar com a sua energia. Entre estes, destaca-se Diogo Pinto (o Corny Collins de HAIRSPRAY) com o seu sorriso aberto e a alegria com que dança.

Verdade, na noite em que assisti a este EVITA, praticamente todo o público aplaudiu de pé, pelo que provavelmente o defeito é meu. Não sou especialista em teatro, sou apenas um apaixonado pelo mesmo, principalmente pelo Musical, pelo que isto é apenas a minha opinião. Seja como for, apesar de não ter gostado, é importante que musicais como este vão sendo cada vez mais produzidos por cá e, recentemente, temos tido boas produções: IN THE HEIGHTSA FAMÍLIA ADDAMSHAIRSPRAYCOMPANYCHICAGOMÃESAVENIDA QQUERIDO EVAN HANSENTHE DROWSY CHAPERONEA PEQUENA LOJA DOS HORRORES e outras. Por isso, vão ao teatro; bom ou menos bom, é sempre uma experiência que recomendo.

Elenco: André Lourenço (Ensemble), Beatriz Lema (Ensemble), Diogo Morgado (Che), Diogo de Carvalho (Péron), Diogo Pinto (Ensemble), Eliseu Ferreira (Ensemble), Inês Martins (Ensemble), João Maria Reis (Ensemble), José Valente (Ensemble), Maria Almeida (Ensemble), Maria Braga (Ensemble), Mariana Marques Guedes (Ensemble), Miguel Barroso (Ensemble), Miguel Sousa (Ensemble), Rebeca Reinaldo (Amante), Ricardo Soler (Magaldi), Sílvia Mirpuri (Ensemble) e Sofia Escobar (Eva Péron) 

Equipa Criativa: Música: Andrew Lloyd Webber • Letra: Tim Rice • Encenação: Paulo Sousa Costa • Assistente de Encenação: João Vilas • Direção Musical: Carolina Puntel • Coreografia: Mariana Luís e Pedro Borralho • Assistente coreografia: Kkappa • Direção de Arte e Cenografia: Fred Klaus • Figurinos: Sofia Lima • Assistentes de Figurinos: Afonso Judicibus e Beatriz Ferreira • Perucas: Gena Ramos • Aderecista: Carolina Almeida • Eva Péron interpretada por Sofia Escobar vestida pelo criador Tony Miranda • Cartaz, Criativo e Voz Off: Pedro Matias Maria • Produção: Yellow Star Company

Fotos: Estelle Valente - EGEAC




domingo, 29 de março de 2026

IN THE HEIGHTS de Quiara Alegría Hudes e Lin-Manuel Miranda

Na comunidade latina de Washington Heights, Nova Iorque, o jovem Usnavi sonha em voltar para a República Dominicana na companhia da sua “abuela” Claudia, enquanto a jovem Nina regressa ao bairro com uma notícia que não vai agradar aos seus pais. Usnavi tem uma paixão pela sexy Vanessa, que está desejosa de sair daquele bairro, e Nina reencontra Benny, um empregado do seu pai, por quem nutre sentimentos amorosos. Temos ainda Sonny, primo de Usnavi, Daniela e Carla, as donas do salão de cabeleireiro, Pete, o pintor de graffiti, e um vendedor de “piragua”.

O musical IN THE HEIGHTS começou a sua carreira em Waterford Connecticut em 2005 e em 2007 estreou Off-Broadway. Em 2008, a produção foi transferida com sucesso para a Broadway, onde ganhou 4 Tonys (uma espécie de Óscars da Broadway), incluindo Melhor Musical e Melhor Partitura Original. Em 2021 foi adaptado ao cinema por Jon M. Chu (o realizador do WICKED). Vi o filme, mas nunca tive a possibilidade de ver a peça no palco, até agora. A espera valeu bem a pena!

Antes de mais, duas coisas. Primeira, detesto rap; segunda, a música latino-americana não é bem o meu estilo. Independentemente dos meus gostos musicais conservadores, a verdade é que gostei mesmo muito deste IN THE HEIGHTS e deixei-me levar pelos seus ritmos contagiantes. É uma pena não transformarem o teatro num salão de dança no fim do espectáculo.

Sissi Martins, responsável pela encenação de RENT, está de volta na “cadeira de chefe” e, na minha modesta opinião, aqui a sua encenação ainda é mais apurada. Todo o palco vibra com entusiasmo e ritmo, mas também com emoção e amor. A sua direção de actores não podia ser melhor e, por vezes o palco parece ser pequeno para conter tanto talento. A ajudar à festa, a coreografia de Marco Mercier convida à dança e o elenco aceita o convite de alma e coração.

Quanto ao elenco, são todos excelentes em todos os niveis e, por razões de importância dos seus papéis, uns acabam sempre por se destacar. Luísa Cruz conquista-nos facilmente com a sua “abuela” e Gonçalo Rosales convence como o tímido, sonhador e simpático Usnavi. No papel da sexy Vanessa, Margarida Martins (A PEQUENA LOJA DOS HORRORES, COMPANY) surpreendeu-me pela positiva e Marta Mota (RENT) é uma fonte de boas energias como Daniela. Kiko Monteiro é engraçado como Sonny e gostei de reencontrar Pessoa Junior (um dos RAPAZES NÚS A CANTAR que eu vi), aqui como o pai de Nina. Ludmilla Guimarães e Pedro Nuno vão muito bem como Nina e Benny, fazendo-nos acreditar no seu amor. Como Pete (o do grafiiti), Renato Nobre demonstra ser um excelente bailarino, Tiago Retrê diverte-se como o vendedor de piragua e Sara Claro (A PEQUENA LOJA DOS HORRORES, RENT) tem uma presença forte como a mãe de Nina. Os actores cujo nomes não mencionei, ajudam a encher o palco com energia e vida.

Recomendo uma visita e este bairro e desafio-vos a não se deixarem contagiar pela música, mas sei que não vão resistir! Graças à MTL e outros, o Teatro Musical está bem vivo em Portugal e isso faz-me muito feliz.

Elenco: Carolina Amarais, Catarina Clau (Carla), Gonçalo Rosales (Usnavi), Gustavo Ramos, Kiko Monteiro (Sonny), Luísa Cruz (Abuela Claudia), Ludmilla Guimarães (Nina), Margarida Silva (Vanessa), Marta Mota (Daniela), Mimi Mourato, Pedro Nuno (Benny), Pedro Razori, Pessoa Júnior (Kevin, pai de Nina), Renato Nobre (Pete), Sara Claro (Camila, mãe de Nina), Tiago Retrê (vendedor de piragua)

Músicos: Artur Mendes – Saxofone; Jackson Azarias – Baixo; João Gomes – Trombone; João Ventura – Bateria; Kent Queener – Piano; Micael Pereira - Trompete

Equipa Criativa: Texto Original: Quiara Alegría Hudes • Música e Letra: Lin-Manuel Miranda  • Encenação: Sissi Martins • Direção Artística: Martim Galamba, Rúben Madureira, Sissi Martins • Produção Executiva:  Martim Galamba • Direção Musical: Tom Neiva • Coreografia: Marco Mercier • Adaptação Portuguesa:  João Sá Coelho • Direção Vocal: Carlos Meireles • Cenografia e Figurinos: Pedro Morim • Desenho Som: Daniel Fernandes • Desenho Luz: Francisco Alves • Direção de Cena:  Sílvia Moura • Assistência de Produção: Bruno Águas • Consultoria Quiara: Alegría Hudes e Philip Himberg • Assistência Figurinos: Romana Mussagy • Pintura Mural: Magda Casqueiro • Produção: MTL - Music Theater Lisbon

Fotos: Estelle Valente - EGEAC 




terça-feira, 24 de março de 2026

T2 EM BENFICA POR 600 EUROS de Vicente Alves do Ó

Um T2 em Benfica por 600 euros? Uma verdadeira pechincha! E, assim sendo, cinco desconhecidos celebram individualmente um contrato de arrendamento do apartamento, para depois descobrirem que afinal não são o único arrendatário. Sentindo-se enganados, têm de arranjar uma solução entre todos.

Há um ditado que diz “a brincar a brincar foi o macaco ao cú à mãe”. Pois nesta peça, a brincar a brincar, falam-se de coisas muito sérias. A crise de habitação em Portugal, neste caso em Lisboa, e o desespero dos cidadãos para conseguirem encontrar um apartamento que possam pagar, é o tema desta comédia da autoria de Vicente Alves do Ó. O resultado é divertido, mas algumas gargalhadas são amargas. A história de cada um dos personagens não é feliz, cada um com os seus problemas e as suas razões para quererem o apartamento. Temos um sem abrigo, uma esposa em processo de separação, um “quarentinha” que nunca teve um apartamento só seu, uma “maluca” dos gatos com uma filha que não quer saber dela e um jovem propenso a desmaios espontâneos. Curiosamente, só um deles está disposto a desistir do apartamento a favor dos outros.

O cenário é “assombrado” por um berrante papel de parede anos 70, que me fez lembrar vulvas (mas tenho uma mente porca, não liguem) e que divide a opinião dos seus futuros arrendatários. Neste cenário único, os personagens dão-se a conhecer e cada um dá o seu toque pessoal ao apartamento. Não há falta de ritmo em palco, sempre com algo a acontecer e a despertar a nossa atenção. O desespero dos personagens é igual ao de tantos portugueses que, quando lhes aparece uma oportunidade única, não pensam duas vezes e caem no “conto do vigário”. Mas atenção, os vigaristas andam aí em busca de alvos fáceis. 

O elenco é irrepreensível! Todos vivem os seus personagens com humor, garra e o dramatismo necessário. Por vezes comoventes, outras vezes loucos, são um quinteto que merece o nosso aplauso. Por eles e pela actualidade do assunto, aconselho que façam uma visita a este T2 em Benfica. E sim, rir é sempre o melhor remédio!

Elenco: António Camelier, Margarida Antunes, Margarida Moreira, Francisco Beatriz e Ricardo Barbosa 

Equipa Criativa: Encenação: Vicente Alves do Ó • Texto: Vicente Alves do Ó • Operador de Som: Rúben Brandão • Guarda-Roupa: Ukbar Filmes • Produção: Meia Palavra Basta – Associação Cultural • Apoio à Produção: Junta de Freguesia de Benfica, Ukbar Filmes, HIT Management, Oficina de Museus, Auditório Carlos Paredes, Cine-Teatro Turim • Imagem Cartaz: Mariana Lokelani • Designer Gráfico: Joana Franco

Fotos: Ana Lopes Gomes