terça-feira, 26 de maio de 2026

CLUBE DOS POETAS MORTOS de Tom Schulman

Em Janeiro de 1990 chegou aos nossos cinemas o filme O CLUBE DOS POETAS MORTOS. Nele, um professor (interpretado por Robin Williams) regressa ao colégio interno onde foi aluno e tenta abrir a mente dos seus alunos através da poesia e da literatura, para que estes aprendam a sonhar e tenham coragem de ser eles próprios, algo que não agrada à classe dirigente da escola.

Confesso que na altura não fiquei apaixonado pelo filme, na realidade saí bem revoltado da sala. Acho que, uma vez que o actor era Robin Williams, ia à espera de uma comédia e fiquei decepcionado. Talvez por isso, para mim esta produção teatral é melhor que o filme. O facto de estar mais velho, também ajuda a ver a história por outra perspectiva. E o tema principal é tão relevante, ter coragem para sermos nós próprios e enfrentar os “velhos do Restelo”. Mas voltei a sentir a revolta dentro de mim, pois as classes opressoras continuam a procurar “bodes expiatórios” para tentarem limpar as suas consciências.

A encenação de Hélder Gamboa é sóbria, elegante e eficaz. Não há distracções em palco, apenas um grupo de personagens que capta a nossa atenção do princípio ao fim, criando empatia connosco e uma forte antipatia para com os “velhos do Restelo”. As cenas da gruta estão brilhantemente encenadas, com um cúmplice jogo de luzes de lanternas, que contrasta com a austeridade da sala de aulas.

Como fugir da sombra do sonhador, divertido e simpático Robin Williams? Acredito que esse foi o grande desafio de Diogo Infante ao interpretar o papel do professor; e ele fá-lo com o seu jeito habitual, com talento, seriedade e algum humor. Virgílio Castelo convence como o odioso director e Diogo Mesquita, num papel muito secundário, brilha como o autoritário pai de Neil.

Mas o espectáculo pertence por direito aos talentosos jovens que dão vida aos alunos. Vão todos muito bem, com normal destaque para alguns deles: Dany Duarte é o apaixonado Knox, Diogo Fernandes é divertido como o irreverente Charlie, João Maria Cardoso dá comicidade ao sonso e irritante Cameron, João Sá Nogueira foi para mim uma revelação como o introvertido Anderson. Uma última palavra para o extraordinário Rui Pedro Silva (BROKEBACK MOUNTAIN), que nos dá um Neil cheio de vida, de sonhos e também de medo. Todos eles, (Rafael Leitão, Jaime Pinto Gamboa e Nuno Represas completam o jovem elenco) demonstram que estamos perante uma belíssima nova geração de actores. Parabéns!

Por tudo isto aconselho uma visita a este CLUBE, pois não se vão arrepender. Mas ouvi dizer que as inscrições não são fáceis de conseguir.

Elenco: Dany Duarte, Diogo Infante, Diogo Fernandes, Diogo Mesquita, Jaime Pinto Gamboa, João Maria Cardoso, João Sá Nogueira, Nuno Represas, Rafael Leitão, Rui Pedro Silva e Virgílio Castelo

Equipa Criativa: Encenação: Hélder Gamboa • Texto: Tom Schulman • Cenografia: Fernando Ribeiro • Adereços: Luís Martins e Rafaela Almeida • Figurinos: Maria Gonzaga • Desenho de Luz: Nuno Meira • Sonoplastia: Luís Lucena • Cabelos: Rui Canento • Assistência de encenação:  Ângela Pinto e Pedro Maralma • Produção – Tenda Produções: Ana Delgado • Produção executiva – Tenda Produções: Miguel Manaças • Comunicação – Tenda Produções: Carlos Félix • Fotografia cartaz e spot TV: Pedro Macedo – Framed Photos • Coprodução: Teatro da Trindade INATEL e Tenda Produções

Fotos: Alípio Padilha



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