terça-feira, 14 de julho de 2026

AMÉLIE – O MUSICAL de Craig Lucas

Em Dezembro de 2001, estreou nos nossos cinemas o filme O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE, que não só foi um grande sucesso de bilheteira, bem como um filme que marcou muitas pessoas e se tornou num título de culto. Claro que alguém achou que a sua história se prestava a ser um musical de palco, que chegou à Broadway em 2017 e a Londres em 2021. Nenhuma das produções teve grande sucesso, mas o fenómeno AMÉLIE nunca perdeu a sua magia e agora chega até nós pelas mãos experientes da Stagedoor, que este ano já nos deu o emocional CALENDAR GIRLS e o divertido MAUS HÁBITOS.

Para quem não se lembra, aqui fica uma breve sinopse. Amélie é uma tímida empregada de mesa que vive no seu mundo imaginário. Um dia, no seu apartamento, encontra uma velha lata cheia das memórias de alguém. Decide encontrar a pessoa a quem pertence a lata, bem como tentar ajudar as pessoas a serem felizes. Entretanto, o seu caminho cruza-se com o de um jovem e pode ser que ela encontre também a felicidade.

Assim que a gravação do elenco da Broadway foi editada, fui logo ouvir a mesma e confesso que fiquei decepcionado, esperava melhores canções. O mesmo aconteceu com a gravação do elenco londrino e presumi que o problema do musical era a sua partitura. Agora que vi o AMÉLIE no palco, diria que a música muito parisiense está em sintonia com a história, mas sim, falta-lhe canções que fiquem no ouvido. Mas isso em nada afectou o espectáculo harmonioso a que tive o prazer de assistir ontem à noite.

Existe uma atmosfera de encantamento nesta produção, encenada por João Duarte Costa, que se encaixa perfeitamente no espírito da história de Amélie. Tem uma espécie de aura mágica que se estende do palco até nós, espectadores. Talvez sejam as cores que envolvem os personagens, talvez seja a iluminação, o simples cenário de cartão, o humor quase ingénuo... bem, acho que é o todo! Sente-se também a forma com que os personagens são acarinhados pelo encenador.

O musical não é só sobre Amélie, mas é ela a força motora do mesmo, e está bem entregue nas mãos de Cláudia Rosa que, com um ar de pura parisiense, nos conquista o coração com simpatia e seu jeito meio estranho. João Diniz é o tímido e meio desajeitado Nino, o alvo da sua atenção, e ninguém tem dúvidas que eles foram feitos um para o outro. Mateus Whytton Borges desdobra-se (muito bem) em vários papéis, nomeadamente como o ausente pai de Amélie e como o solitário pintor vizinho de Amélie. Samanta Sousa (a dona do café), Beatriz Sousa, (a apaixonada viúva), Alice Arrifano (uma espécie de divertida “new age”) e Sara Venâncio (a hospedeira) dão vida e cor ao pequeno grupo que rodeia Amélie, do qual também faz parte Vicente Neves como o desinspirado escritor. Destaque ainda para Pietro Pizzo, que nos dá um “glittering” Elton John e um meio louco canalizador, e para um inocente Tomás Mourato e seus adorados frutos. Mas todo o elenco vai muito bem, movimentando-se por vezes num todo e entregando-se com alma à coreografia de Marta Almeida.

Uma produção em estado de graça, que nos enche o coração de amor e esperança... algures por aí, a felicidade espera por nós!

Mais uma vez, os meus parabéns à Stagedoor e que continuem a manter vivo o Teatro Musical por muitos e muitos anos. Obrigado!

Elenco: Cláudia Rosa, João Diniz, Mateus Whytton Borges, Ana Isabel Gomes, Samanta Sousa, Beatriz Sousa, Alice Arrifano, Sara Venâncio, Vicente Neves, Pietro Pizzo, Tomás Mourato, Maria Bártolo, Sofia Belém, Vera Freire, Teresa Costa, Beatriz Vasconcelos, Mafalda Correia, Carolina Almeida, Madalena Oliveira, Madalena Braga, Mariana Gonçalves, Catarina Dias, Sofia Chaves, Inês Moura, Larissa Angeli, Kaya Barros, Bruna Camarinha, Soraia Torres, Gessika Cunha, Maria Gama 

Banda: Carlos Meireles, João Norte, Francisco Neves, Sérgio Fuiza Duarte

Equipa Criativa: Encenação: João Duarte Costa • Texto Original: Craig Lucas • Música: Daniel Messé • Letra: Daniel Messé & Nathan Tysen • Tradução e Adaptação: Raquel Pereira, Maria Mascarenhas, João Duarte Costa e Ana Stilwell • Direção Musical: Carlos Meireles • Coreografia: Marta Almeida • Cenografia: Maria Mascarenhas, Leonor Bivar, Nuno Baptista, João Duarte Costa e Lara Rocha • Adereços: Lara Rocha, Maria Mascarenhas, Inês Garcia e João Duarte Costa • Figurinos: João Duarte Costa, Lara Rocha e Inês Garcia • Direcção de Cena: Lara Rocha • Assistência de Cena: Inês Garcia • Contra-regras: Lara Rocha & Inês Garcia • Som: Eduardo Mota & João Branco • Luz: Paulo Santos e José Caratão • Direcção Artística: Gonçalo Carlos • Produção: Stagedoor – Escola de Teatro Musical, João Pães Prata Lda • Assistente de Produção: Lara Rocha e Inês Garcia • Poster e Grafismo: Lara Rocha

Fotos: Luís Chaves


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